Horácio e Régio
Recta vida, Licínio, crê, não há-de
ser sempre navegar no alto mar,
nem, temendo de mais a tempestade,
só perto dos rochedos navegar…
Quem ‘scolhe a regra de ouro mediana
é que evita afinal, com segurança,
tanto o horror da sórdida choupana
como o palácio cuja luz nos cansa.
O pinheiro mais alto é que mais vezes
p’la fúria do vento é açoutado;
tombam as torres em razão do peso;
dos montes só o cimo é fulminado.
Sabe que o peito forte, na fortuna,
é que teme a desgraça; mas, na treva,
não deixa de ter esp’rança… Tudo muda:
o Inverno Jove o traz; depois o leva…
O bem pode nascer do mal de agora.
às vezes, quando menos se imagina,
Apolo com a lira a Musa acorda;
e nem sempre seu arco ele utiliza.
É ante o infortúnio que valente
e mais firme te deves ir mostrando.
Segura bem as velas, se és prudente,
quando o vento demais as for inchando…
Horácio, Odes II.10
trad. de David Mourão-Ferreira
Plenitude incomportável abraça-me
com esse calor inconfundível da memória
que recordar com mais ardor?
o sentir da luz pela primeira vez
ou
aquele último olhar para as cores da vida
ou ainda
viver na mansidão da serena tarde de Verão
ou
gemer com o alto pinheiro a chuva e a ira da tempestade
esse humano sentir…
morar na árida placidez
ou
segurar a vida pelos dentes?
João Régio
1936
Etiquetas: Pervivências, Poesia, Roma

1 Comments:
mas para quem não navega em alto mar:
O terrível cativeiro de quinze militares britânicos sob o regime de Ahmadinejad
Jon Stewart, do Daily Show, dá-nos, com extraordinário humor, uma imagem pungente do drama vivido pelos quinze militares britânicos enquanto reféns de Ahmadinejad, por alegadamente terem violado águas territoriais iranianas.
Stewart: estou certo que foram submetidos a todo o tipo de horrores. Foram obrigados a usar fatos de treino desirmanados. Tiveram de se entreter com jogos de sala e comer petiscos que se serviam nas festas nos anos oitenta. E foram obrigados a rir com naturalidade...
Vídeo - 2:20m
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