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momentos na cultura antiga

terça-feira, março 27, 2007

Miller, Termópilas, Irão e EUA





Frank Miller sempre foi um dos meus desenhadores preferidos. Quando tinha onze ou doze anos lia a saga dos X-men com o mesmo deleite que hoje leio o Crime e Castigo de Dostoyevsky. Depois de ler o pequeno livro de B.D., na altura umas edições pequenas da Abril (editora brasileira), voltava a passar os olhos nos soberbos desenhos de Miller. O seu estilo realista encantava a minha estética de puto…
Há algum tempo, descobri que Miller tinha feito uma graphic novel sobre um tema muito interessante: a batalha das Termópilas, célebre acontecimento histórico em que cerca de trezentos espartanos se sacrificaram, atrasando e desmoralizando o imenso exército de Xerxes.
Até aqui tudo bem, no entanto o livro foi usado para uma adaptação para um filme, que segue não letra a letra, mas quase quadradinho a quadradinho a concepção inicial de Miller. O problema é que a figura, no mínimo original, de um rei Xerxes seminu, totalmente depilado e tão cheio de piercings que quase parece saído de uma fotografia numa montra de uma loja de tatuagens, não agradou particularmente a certas pessoas no Irão. A quem exactamente, ainda não descobri, mas já ouvi na rádio e encontrei estes artigos sobre a questão.

http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL11853-5603-672,00.html

“Might there be a small difference between going forth to protect your land from imminent attack, and actually going far away from home to attack a country that never once threatened your way of life?”

A questão não se esgota por aqui, pois, há uma acusação de propaganda política que não me parece completamente despojada de sentido. No entanto, sabemos bem que os americanos são especialistas em propaganda política nos seus filmes e há filmes bem piores onde se explora a ideia do imbecil asiático terrorista fanático machista brutal e sobretudo anti-americano. Entendo que no Irão haja um ressentimento profundo contra as ideias maniqueístas amplamente difundidas pela administração norte americana e seus lacaios. Mas neste caso objectivo, parece-me um erro tomar uma posição político-moral perante um filme baseado numa obra de B.D. que não me parece ter grandes ambições histórico-pedagógicas. Não me parece que Miller tenha desenhado e escrito “300” com o intuito de insultar a grande nação Iraniana, cuja história alcança muito para além dos pequenos dois séculos de história dos E.U.A., mas quem sabe… Só para terminar, o livro foi publicado em 1998.

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2 Comments:

At 7:12 da tarde, março 27, 2007, Anonymous Anónimo disse...

Manel,

Não tenho tempo para comentar, por isso deixo-te mais um link com a "problemática em questão":
http://news.bbc.co.uk/2/hi/middle_east/6455969.stm

Abraço,
Ricardo

 
At 11:07 da tarde, março 27, 2007, Blogger Diogo disse...

Uns dizem que propaganda contra o Irão, outros que é um ataque contra Bush. Só vendo o filme.

 

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