breve tempus

momentos na cultura antiga

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Hino a Ares

Ares de força superior, condutor de carros, de elmo dourado,
pujante de espírito, detentor de escudo, libertador de cidades, armado de bronze,
de mão vigorosa, incansável, possante com a lança, muralha do Olimpo,
Pai da Vitória eficaz na guerra, aliado de Témis,
soberano dos rebeldes, líder dos homens mais justos,
detentor do ceptro da masculinidade, revolves o ciclo luminoso
no éter por meio das sete constelações, e aí, para a eternidade, os teus cavalos
fogosos te sustentam sobre a terceira abóbada celeste.
Ouve! Defensor dos mortais, dador da corajosa juventude!
envia do alto uma suave luz brilhante, sobre
a minha vida, e o poder de Ares, para que eu possa
afastar a amarga maldade da minha cabeça,
e vergar os enganosos impulsos na minha alma.
Detém também a ira aguçada do meu coração, que me leva
a avançar no gelado fragor da guerra. Mas tu,
Ó bem-aventurado, dá-me a coragem para permanecer nas inofensivas leis da paz,
fugindo da contenda dos malignos soldados de Kêr.


Hino homérico VIII.

Dedicado às vítimas inocentes dos últimos crimes cometidos pelo exército dos EUA na Somália.

Já não traduzia grego há algum tempo, e por isso, soube-me especialmente bem fazê-lo. Foi como beber a primeira cerveja fresca no calor que se inicia, enquanto se absorve os primeiros raios de Sol de um Verão que desponta. Apenas um apontamento, a falta de palavras em português para "força", em grego e só nos primeiros versos deste hino surgem cinco palavras nesse campo semântico.

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5 Comments:

At 9:20 da tarde, janeiro 10, 2007, Blogger Sofocleto disse...

Invejo-lhe os conhecimentos de grego. Equanto uns produzem arte, outros espalham cadáveres.

 
At 10:42 da tarde, janeiro 10, 2007, Blogger Manuel disse...

Não precisa invejar. Pode sempre inscrever-se na Faculdade de Letras mais perto de si... 8) (com Estudos Clássicos só há 2 em Portugal).

Abraço e Volte sempre, caro Sofocleto.

 
At 11:41 da manhã, janeiro 12, 2007, Anonymous Alcebíades José disse...

Amigo Manel
Simplesmente magnifico.
Obrigado por este momento.
E a analogia... Genial.

Para quando uma antologia poética da cultura clássica???

 
At 1:01 da manhã, janeiro 13, 2007, Anonymous DLM disse...

Ora, ora, enquanto as "vitimas inocentes" espalhavam cadaveres indignou-se? Teceu, ao menos, o panegírico às vitimas?
Qual, seguramente quedou-se em silencio pois a indignação e o lirismo está reservada às vitimas dos ogres da esquerda moderna: os norte-americanos.

 
At 11:14 da manhã, janeiro 13, 2007, Blogger Manuel disse...

Amigo Alcebíades,

"Para quando uma antologia poética da cultura clássica??? "

Felizmente que já existe em português uma excelente Antologia da Cultura Grega traduzida e seleccionada por Maria Helena da Rocha Pereira editada pelo Instituto de Estudos Clássicos em Coimbra. O título é Hélade, quando puderes compra-a, é um livro essencial em qualquer biblioteca.

Além dessa, saiu há relativamente pouco tempo a Poesia Grega do Professor Frederico Lourenço. Uma selecção de traduções da melhor poesia grega, igualmente aconselhável.

 

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