breve tempus

momentos na cultura antiga

sábado, dezembro 30, 2006

Pervivência III - anti-sublime

Sublime no Houaiss eletrônico ver. 1.00 de 2001:
lat. sublimis,e 'que vai elevando-se, que se mantém no ar; elevado, alto, sublime; ilustre, nobre, afamado, distinto, glorioso, célebre; altivo, soberbo, presunçoso';

Provando que os clássicos não são apenas fonte do sublime, deixo-vos vários Édipos:

Édipo 1

Édipo 2

Édipo 3

Édipo 4

Édipo 5

Qual será o pior? Não me consigo decidir...

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quarta-feira, dezembro 27, 2006

O Brinde e a Fava

E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.

Do único blog actualizado nos dias terminados em 3 e 7: O Brinde e a Fava.

terça-feira, dezembro 26, 2006

O pior governante de Roma - Calígula?

O Roma Antiga é um dos melhores blogues portugueses que conheço sobre o mundo antigo. Tem sempre textos interessantes, profundos e bem documentados sobre questões pertinentes centradas na Roma antiga. Se não o conhecem, não percam tempo, passem por lá. Não faço ideia de quem sejam os autores, por isso não estou a elogiar algum amigo.
Todos os meses o Roma Antiga coloca uma questão aos leitores que depois dá origem a um comentário aprofundado. Para Dezembro e Janeiro está de pé a seguinte questão: Quem foi o pior governante de Roma?
Não conheço de perto todos os governantes de Roma, e a pergunta é extremamente complexa, pelo seguinte motivo: Um bom governante para os populistas é um mau governante para os republicanos e vice-versa. Qual será então o pior ou melhor governante?
César foi um bom governante para os populistas e péssimo para os republicanos, Pompeu foi o oposto...
Para mim o pior governante de Roma foi Calígula, pois com o seu triste exemplo apercebemo-nos que a história pouco ou nada ensina aos homens, pois, apesar do seu rápido (4 anos) mas demolidor governo, os romanos persistiram em colocar no poder homens muito semelhantes a Calígula. Nero foi outro jovem escolhido para princeps sem a experiência, conhecimentos, capacidade de decisão, bom senso e todas as outras características necessárias para alguém conseguir governar um império que reunia metade da Europa actual e o parte do médio oriente.
Os Romanos (ou a partir de determinada altura a guarda-pretoriana) ofereciam o poder total a um único indivíduo sem saberem quem ele era e o que ele seria capaz de fazer. Muitas vezes baseados em meros laços familiares com outros governantes, homens completamente incapazes foram sucessivamente escolhidos para uma tarefa que os superava em todos os aspectos. Poucos foram os governantes que desempenharam o seu papel com um mínimo de responsabilidade e menos ainda podem ser considerados bom governantes. Destaco neste grupo reduzido Augusto, Adriano e Trajano. Mas até estes cometeram erros imperdoáveis e atrocidades que seriam consideradas hoje em dia intoleráveis.

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sexta-feira, dezembro 22, 2006

Epicuro sobre a amizade





Entre todas as coisas que a sabedoria proporciona para uma vida inteira em felicidade, a mais importante de longe é a possessão da amizade.

Epicuro, Máximas Principais, XXVII.

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quinta-feira, dezembro 21, 2006

Quem foram os culpados pela destruição da biblioteca de Alexandria?

O Eneadáctilo, blogue que desde já recomendo, fez uma pesquisa pela rede em busca dos verdadeiros culpados da destruição da biblioteca de Alexandria. Uma pesquisa muito apreciável, pois o tema é bastante singular. Pelos resumos que fez dos sites, (não fui confirmar todos) a maioria parece apontar Teodósio pela mão de Teófilo ou Júlio César como principais suspeitos do crime.
O Eneadáctilo conclui que os cristãos são os grandes culpados pela destruição da biblioteca e lembra, com alguma razão, outros factos muito pouco confortáveis para os cristãos.
Sem querer fazer juízos, pois não sou juiz, é para mim claro que os cristãos desempenharam um papel muito pouco neutro na preservação da cultura clássica, prova disso é a actual falta de textos de determinados autores, por exemplo o meu amigo Epicuro.
No entanto, a meu ver as generalizações são sempre perigosas e inimigas da verdade. Por exemplo, Santo Agostinho e outros dos chamados “Pais da Igreja” semearam as suas doutrinas cristãs em solo pagão e colheram daí efeitos muito saudáveis e ao mesmo tempo acabaram por preservar a cultura clássica. Outro exemplo é o do papa Leão X que foi um autêntico mecenas da cultura clássica e teve por isso um papel importante na recuperação e reabilitação dos clássicos pagãos. No entanto, outros papas houve que seguiram o caminho oposto. Sisto V transformou as colunas de Trajano e de Antonino em meros pedestais para as estátuas de S. Pedro e S. Paulo e mandou demolir o Septizonium de Séptimo Severo para usar os materiais da construção em outros edifícios.
Na minha opinião, os povos árabes são hoje em dia vistos de forma muito unívoca, visto que, normalmente olhamos apenas os aspectos negativos da sua história e cultura. Mas, tal como os cristãos, os árabes contribuiram positivamente para a evolução científica e até moral do ser humano. Basta conhecer um pouco da história da matemática, da astronomia, da recepção dos textos de Artistóteles ou até da medecina, para perceber o seu imenso contributo para o bem estar da espécie humana. Por outro lado, os árabes, tal como os cristãos, foram capazes de feitos terríveis e inconcebíveis, contribuindo para guerras e sofrimentos absolutamente desnecessários.

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terça-feira, dezembro 19, 2006

Surf IV - Mitologia na rede

Conforme prometi a uma amiga, sugiro-vos algumas ligações a sítios na rede sobre mitologia.
Há inúmeros sítios na rede dedicados à mitologia, seja ela grega, romana, inca ou polinésia. No entanto, a grande maioria dos sítios abordam o tema de forma incipiente e muito superficial. Ainda assim, também há na rede alguns sítios de excelente qualidade sobre mitologia. Deixo-vos aqui alguns desses sítios.

A Encyclopedia Mythica parece-me ser um dos melhores sítios sobre mitologia. Contém neste momento mais de sete mil entradas, todos sobre mitologia. Os grandes deuses romanos e gregos têm direito a artigos mais aprofundados, mas pequenas e obscuras divindades também têm direito a uma pequena descrição.

O Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology de Smith já aqui citado é uma ferramenta incontornável para quem se interessa sobre mitologia. Especialmente importante para aquelas referências misteriosas e desconhecidas pela maior parte das fontes.

Em português do Brasil, encontrei o Mithos - Sistema de Pesquisa Mitológica em Hipertexto, uma lista considerável de personagens mitológicas, oriundas de várias zonas do planeta. A navegação por ordem alfabética é muito interessante.

Em língua espanhola, acessível à grande maioria dos portugueses, encontrei o sítio El Olimpo.com, que, além de ter um design agradável, possui informação pertinente, está actualizado e a sua enciclopédia parece estar ainda a aumentar.

Para terminar, indico-vos o sítio da faculdade de letras da universidade de Lisboa da disciplina de Arte e Mitologia do curso de Filosofia. O Professor Carlos João Correia indica vária bibliografia sobre o tema e disponibiliza alguns documentos em pdf e ligações muito interessantes.

Relativamente a enciclopédias mitológicas, em português de Portugal não há praticamente nada que mereça destaque. Espero que este facto se venha a alterar no futuro. Se alguém quiser meter-se nisso, posso dar uma ajuda na criação da página.

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domingo, dezembro 17, 2006

Dialéctica VI - Platão vs Godard

Contra a poesia:

Platão na República, 382e – 383a:


“- Por conseguinte, Deus é absolutamente simples e verdadeiro em palavras e actos, e nem ele se altera nem ilude os outros, por meio de aparições, falas ou envio de sinais, quando se está acordado ou em sonhos.
- Assim me parece, a mim também, à fé do que dizes.
- Concordas, portanto, - continuei – que haverá um segundo modelo, de acordo com o qual se deve escrever em prosa e em verso acerca dos deuses, como não sendo feiticeiros que mudam de forma nem seres que nos iludem com mentiras em palavras e actos.
- Concordo.”

A favor da Poesia:

Jean-Luc Godard em Alphaville (1965):

Alfa 60, um computador que controla a sociedade de Alphaville pergunta a Lemmy Caution, o herói de Godard:

“- O que transforma a escuridão em luz?
“- A poesia.”

Dá que pensar não dá?

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sexta-feira, dezembro 15, 2006

O rapsodo e a Ilíada

Tive ontem um prazer dos grandes… A conselho de um amigo, fui ver uma narração da Ilíada no teatro D. Maria II. Fiquei surpreendido pela perfeita união entre texto e narração que o artista consegue. A narração é em italiano, e por vezes difícil de seguir, nomeadamente quando o artista acelera o passo, relatando mortes em catadupa. Mas há momentos sublimes, em que o milenar texto da Ilíada cumpre a função para a qual foi criado – ser declamado por um rapsodo. Se nunca leram o livro, se não viram o filme, vão ver Gianluigi Tosto, porque a sua actuação é muito mais a Ilíada dos antigos que qualquer Ilíada em papel ou em filme.

Texto do Teatro D. Maria II:

Numa época em que o Ocidente se debate com uma quebra generalizada de regras de conduta moral e social, com uma sociedade descaracterizada do ponto de vista cultural, Gianluigi Tosto, num inovador movimento de aparente regresso ao passado, propõe uma releitura de A Ilíada, de A Odisseia e de A Eneida, convocando o espectador para um momento narrativo em que, mais do que as acções, o centro será a voz do narrador e o “cenário”, mais do que um cenário convencional, será criado pelo próprio espectador a partir das sugestões que as palavras ditas pelo narrador lhe fizerem.

Apesar da extensão destas três obras, a verdade é que a sua métrica sempre convidou a uma leitura em voz alta das mesmas para que, a par dos acontecimentos narrados, o leitor/ouvinte se pudesse maravilhar e encantar com a musicalidade das palavras. Além disso, o conhecimento prévio das “histórias” presentes em cada uma das épicas, como outrora acontecia com as lendas em causa em cada texto, permite uma total liberdade do “espectador/ouvinte” para a fruição da palavra dita.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Epicuro sobre o prazer




Nenhum prazer é em si um mal, mas as acções originárias de alguns prazeres trazem muito mais problemas do que os próprios prazeres.

Epicuro, Máximas Principais, VIII.

Nesta nossa era onde o prazer individual é o objectivo máximo do ser humano, deveríamos prestar um pouco de atenção a Epicuro. Para ele o prazer era tudo. Mas um prazer reflectido, ponderado, e atemporal, nunca um prazer efémero, súbito, pontual ou ocasional. Ou seja, o prazer real não se extingue num sopro momentâneo, antes chega-nos até aos ossos e aí permanece até ao fim dos nossos dias. Um exemplo contundente: quantos orgasmos não tivemos e viremos a ter em que nunca mais pensámos. No entanto, há certos acontecimentos que temos bem guardados no nosso profundo ser que foram verdadeiros prazeres, dentro desses acontecimentos estão também alguns orgasmos, claro.

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terça-feira, dezembro 12, 2006

Pervivência II - Kavafis e Calímaco

Encontrei esta pervivência na Bomba, um dos primeiros blogues portugueses. Provando que não é só a antiguidade que faz a qualidade, a Carla Quevedo oferece-nos esta deliciosa tradução:

Zeus tem grave pesar. Pátroclo
matou Sarpédon; e agora o filho de Menécio
e os Aqueus correm
para tomar e humilhar o corpo.

Mas Zeus nada disso consente.
O seu filho amado - que deixou, perdeu-se;
assim era a Lei -
ao menos honrará o morto.
Envia Febo abaixo à planície
instruído para que tome conta do corpo.

Febo levanta o cadáver do herói com respeito
e tristeza e leva-o para o rio.
Lava-o do pó e do sangue;
fecha as feridas, sem deixar
nenhum sinal à vista; os aromas
da ambrósia deita sobre ele; e veste-o
com vestes resplandecentes e olímpicas.
Branqueia a sua pele; e com um pente de pérolas
penteia os cabelos negros.
Endireita e deita os seus belos membros.

Agora parece um jovem rei condutor de carro -
com vinte e cinco, vinte e seis anos -
descansado depois de ter vencido,
com um carro todo em ouro e os cavalos velocíssimos,
o prémio numa competição célebre.

Assim, quando Febo terminou
a sua missão, chamou os seus dois irmãos,
Hipno e Tânato, ordenando-os
que levassem o corpo para a Lícia, um lugar rico.

E até esse lugar rico, a Lícia,
caminharam estes dois irmãos,
Hipno e Tânato, e quando chegaram
à porta da casa real,
entregaram o corpo glorioso
e voltaram aos seus trabalhos e afazeres.

E mal aí o receberam, em casa, começou
com cortejos, e honras, e lamentos
e com inúmeras libações de crateres sagrados
e com tudo o que é apropriado, a triste sepultura;
e depois operários experientes da cidade,
e ilustres trabalhadores da pedra
vieram e fizeram o túmulo e a estela.

Konstandinos Kavafis, 1908, tradução de Carla Hilário Quevedo (2004)

Kavafis foi um poeta Alexandrino (1863 – 1933), que retomou temas e formas poéticas que hibernavam desde a época helenística, especialmente para a poesia helénica. Nascido mais de dois mil anos depois da fundação da cidade modelo de Alexandre, Kavafis lembra-me bastante outro poeta alexandrino – Calímaco. Por um lado, pela curiosa partilha do mesmo espaço geográfico (Calímaco nasceu em Cirene, na Líbia, mas passou a maior parte da sua vida activa em Alexandria). Por outro, pela visão “modernista” que ambos têm da estética poética. A obra de Cavafis não foi muito bem recebida pelos poetas gregos seus contemporâneos. Por vários motivos: a linguagem desprendida e realista, considerada desapropriada na altura; o estilo, considerado prosaico e desajustado; a sensualidade extrema. Cavafis diria, sobre a sua obra poética: “sou um poeta ultra moderno, um poeta para as gerações futuras”.
Calímaco, no reinado de Ptolomeu II (285-246 a.C.), rompeu com a poesia clássica, defendendo uma poesia onde a qualidade estética se sobrepunha à dimensão. Por sorte, conhecemos actualmente sessenta e um epigramas completos e seis Hinos. A batalha de Calímaco era contra a imitação banalizante da épica clássica, lutava por uma poesia nova, que percorria “caminhos que os carros nunca trilharam”.

ITHAKA - A Tribute to Constantine P. Cavafy

Poetry International Web

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domingo, dezembro 10, 2006

Éris, a Discórdia

Há alguns meses, a lista de planetas do sistema solar foi alterada. O nosso sistema é agora constituído por apenas oito planetas. Plutão deixou de ser um planeta do sistema solar e passou a ser um planeta anão. Estas alterações devem-se ao facto de a UAI (União Astronómica Internacional) ter alterado a definição de planeta e ter criado uma nova categoria de corpos celestes – o planeta anão.

Segundo a quinta resolução da UAI, um planeta é um corpo celeste que:

1. Está na orbita do Sol
2. Tem massa suficiente para que a sua auto-gravitação lhe permita assumir uma forma hidrostaticamente equilibrada, ou seja, arredondada.
3. Tenha limpo a vizinhança à volta da sua órbita.

Um planeta anão é um corpo celeste que:

1. Está na orbita do Sol
2. Tem massa suficiente para que a sua auto-gravitação lhe permita assumir uma forma hidrostaticamente equilibrada, ou seja, arredondada.
3. Não tenha limpo a vizinhança à volta da sua órbita.
4. Não é um satélite.

Deste modo, o sistema solar é actualmente composto por oito planetas: Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno; e ainda, por dois planetas anões: Plutão e Éris.
Já todos, ou quase todos, conhecemos as divindades correspondentes na mitologia greco-latina. No entanto este último planeta anão, Éris, não é assim tão conhecido.
Na última tradução Portuguesa da Ilíada encontrei o seguinte:

Aos Troianos incitava Ares; aos Aqueus, Atena de olhos garços,
assim como o Terror, o Medo e a Discórdia sempre furibunda,
irmã e amiga de Ares matador de homens –
ela que primeiro levanta um pouco a cabeça, mas depois
fixa a cabeça no céu, enquanto caminha sobre a terra.
Foi ela que atirou para o meio deles o conflito que chega a todos,
ao percorrer toda a turba, assim aumentando os gemidos dos homens.


Ilíada, IV, vv. 439-445.

A Éris é justamente essa Discórdia que, no casamento de Peleu e Tétis, lançou a maçã da discórdia. Éris não foi convidada para esse casamento, já para evitar problemas, no entanto, ela armou-se em penetra e infiltrou-se no copo de água. Quando os deuses estavam “numa boa”, comendo e bebendo a ambrósia divina, Éris lançou uma maçã dourada para o meio dos convidados com a inscrição “para a mais bela”. Hera, Atena e Afrodite disputaram a maça e Zeus achou por bem chamar Páris para decidir qual das deusas seria a mais bela. Incontornavelmente, Páris escolheu Afrodite. Para o recompensar, Afrodite apoiou Páris no rapto de Helena, a causa primordial da destruição de Tróia.
É esta a Éris que temos agora como companhia no nosso cantinho do universo. Não posso deixar de pensar que nos dias que correm foi um nome muito bem escolhido.

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sexta-feira, dezembro 08, 2006

Volto já

Devido a uma intoxicação alimentar aguda, o autor remete-se ao silêncio até ter forças para voltar.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Da teoria à prática


"Não continues apenas a discutir que tipo de pessoa deve ser uma boa pessoa, sê uma!"




Esta vai sem comentários...

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segunda-feira, dezembro 04, 2006

Tradutor Automático

Já devem ter notado que surgiram umas novas bolinhas aí ao lado com as cores de algumas bandeiras de países. Resolvi colocar este tradutor automático, porque, ocasionalmente, vêm parar ao blogue pessoas que com certeza não percebem a nossa língua, no entanto, com o tradutor já podem ficar com uma ideia do conteúdo.
Experimentei algumas línguas e reparei que o programa traduz algumas melhor que outras, e cheguei a algumas conclusões insólitas. Supostamente o inglês teria uma sintaxe simples, comparativamente com as línguas românicas, mas o tradutor tem maiores dificuldades com o inglês do que com francês ou o italiano, por exemplo. Na verdade a tradução para francês deixou-me quase estupefacto, pois não fazia ideia que escrevia francês assim tão fluidamente! (estou a brincar, é claro que os créditos são todos do programador).
Carreguem aí nos ícones e experimentem! Vejam as diferenças na qualidade das traduções consoante as línguas e se gostarem coloquem o tradutor no vosso blogue.

O autor do programa disponibiliza-o aqui.

sábado, dezembro 02, 2006

A educação e a natureza humana

Diz Sócrates a Adimanto:

- Logo, ó Adimanto, diremos que as almas mais bem dotadas, se se lhes deparar uma educação má, se tornam extremamente perversas?

Esta pergunta de Sócrates não tem nada de inocente. Platão, pela boca do sábio, refere aqui um dos maiores problemas com que a humanidade se tem debatido - a educação. Segundo Platão, uma boa educação forma boas pessoas e uma má educação forma más pessoas. Até aqui tudo bem, mas Platão introduz mais um elemento na equação. A natureza mais ou menos filosófica das pessoas. Essa natureza filosófica consiste na reunião das virtudes cardinais numa pessoa: coragem, generosidade, facilidade para aprender e memória. Na pergunta citada, Sócrates cruza estas duas variáveis, por um lado a natureza da pessoa e por outro a educação que ela recebe, obtendo o terrível resultado que a humanidade teve oportunidade de testemunhar na segunda guerra mundial, referindo apenas o evento mais terrível e perturbante dos últimos séculos. Basta relembrar que os homens, que mandaram exterminar milhares de pessoas nos campos de concentração, eram extremamente cultos. Mas relativamente ao seu carácter e à sua psicologia não passavam de assassinos perversos.
Vendo a questão à luz de Platão, questiono o seguinte: teriam estes homens essa natureza filosófica, que descrevi em cima, e terão sido corrompidos por uma educação má e errada, ou pelo contrário, teriam uma má natureza, mas tiveram acesso a uma educação elevada, mas que não conseguiu alterar a sua verdadeira natureza?
Sinceramente, desconheço a resposta a esta pergunta, mas tenho as minhas ideias. Contudo deixo-vos aqui a pergunta para a comentarem como quiserem.

A citação de Platão foi retirada da tradução da República de Maria Helena da Rocha Pereira, da Gulbenkian, Livro VI, 491e.

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sexta-feira, dezembro 01, 2006

Encerramento da Festa da música


O ano passado tive o prazer de ir à festa da música. O que me surpreendeu mais foi a adesão de um público global, desde o estudante que dá uma facadazita no orçamento mensal aos típicos intelectuais que não falham eventos de música clássica até às famílias numerosas com três ou quatro miúdos, cada um a puxar para um concerto diferente. Enfim, portugueses mais magros ou mais gordos, mais jovens e menos jovens, mais endinheirados e menos endinheirados, mais cultos e menos cultos, lá estavam todos sentados lado a lado, ouvindo a mesma música.
A festa da música, como é sabido, servia o interesse público de atrair esse grande e diversificado público a uma cultura, neste caso musical, normalmente apenas recebida por uma minoria iluminada.
Com o encerrar da Festa da Música essa luminosidade cultural que começava a aquecer e dar vida a tantos portugueses vai-se apagar e voltar a ser sentida apenas por essa minoria que já tão bem a conhece…

Decorre na rede uma petição que já assinei e vos convido a assinar. Daí retirei o seguinte excerto:

“A declaração dos nossos interesses é a nossa muito antiga paixão pela música, pela grande música, e de termos sido há 6 anos atingidos pelo Cupido da Festa da Música.