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momentos na cultura antiga

quinta-feira, novembro 09, 2006

Áccio

No dia dois de Setembro de 31 a.C. deu-se um dos acontecimentos mais importantes na história da humanidade. À primeira vista, a batalha de Áccio parece uma batalha como tantas outras, fruto de uma fratricida guerra civil, mas apenas mais uma entre as muitas que atingiram os romanos. No entanto, se erguermos o nosso campo de visão e abrangermos um ou dois séculos percebemos a monumental importância de Áccio. Nesse dia ficou decidido que Octaviano seria o futuro senhor de Roma, enquanto que Marco António e Cleópatra entravam para a grande lista de célebres derrotados. Apenas quatro anos depois, Octaviano tornou-se Augusto, o primeiro Imperador de Roma, provavelmente a personagem histórica mais decisiva da história do império romano. Foi Augusto que edificou o sistema imperial que durou mais de três séculos, sepultando definitivamente as cinzas da república romana.
Se, por um momento, imaginarmos que nesse dia a história tivesse seguido por outro caminho, notaremos que a história da civilização ocidental, como hoje a conhecemos, seria com certeza muito diferente. Supondo que a união de Marco António e Cleópatra ganharia solidez e que ambos fundariam um império ainda mais multicultural e ecuménico do que a Roma de Augusto, é fácil vislumbrar uma Europa totalmente diferente em que o peso de Alexandria e do médio oriente seria com certeza maior.
Mas basta de especulação. Olhemos antes para os factos que decidiram o destino da Europa, nesse dia de fim de Verão.
Antes da batalha de Áccio, Marco António levou a sua frota para o golfo da Ambrácia, na costa ocidental da Grécia. Aí montou um considerável sistema defensivo, guardando a entrada do golfo. Octaviano cercou as forças de António, mas os combates que se seguiram mantiveram um equilíbrio vacilante. No entanto, a incerteza trouxe problemas a Marco António, pois a propaganda de Augusto, aproveitando o facto de Cleópatra estar junto do seu adversário, difamava o casal e comprometia a lealdade de António para com os romanos. A hábil propaganda de Augusto tinha como alvo Cleópatra e indicava-a como verdadeiro inimigo de Roma, António seria apenas um fantoche nas suas mãos. Como seria de esperar esta situação criou cisões no seio do exército de António e muitos quiseram afastar Cleópatra para ganhar o apoio de Roma. No entanto, não o conseguiram fazer. Cleópatra ficou junto de António e apenas partiu no pior momento possível.
No fim de Agosto, António decidiu avançar ao encontro de Octaviano. A frota de António consistia sobretudo de enormes quinquirremes, barcos gigantescos movidos por cinco filas de remadores. Por outro lado a frota de Octaviano era maioritariamente constituída por barcos mais pequenos e manobráveis. Os grandes quinquirremes teriam a suposta vantagem de terem maior tamanho para abalroarem os barcos menores. Contudo a manobrabilidade dos barcos de Octaviano revelou-se fundamental. Os grandes navios não conseguiam acertar nos barcos menores que não deixavam de os atacar com tudo o que podiam. A batalha prosseguiu durante todo o dia. Ambas as frotas optaram por usar tácticas de guerra em terra, lançando setas e lanças aos barcos inimigos, o que obtinha poucos resultados. Ao final da tarde, Cleópatra e o seu esquadrão de sessenta navios egípcios ergueram as velas e afastaram-se da batalha em direcção ao mar alto.
Até hoje, os historiadores debatem os motivos da fuga Cleópatra, e mais estranho ainda, desconhecem-se as razões que levaram Marco António a abandonar o seu exército de milhares de homens e partir com quarenta navios no encalço de Cleópatra. As hipóteses são várias, uns afirmam que António ficou furioso com Cleópatra e partiu impetuosamente sem pensar nas circunstâncias, outros afirmam que tudo teria sido combinado para o casal de amantes conseguir escapar ao cerco de Octaviano. Seja como for, quer tenha sido amor, medo, ódio, excesso ou falta de confiança a causa da fuga de António, o resultado foi uma declarada vitória de Octaviano. No final do dia o exército de António perdeu cerca de cinco mil homens e três centenas de navios de guerra.
Uma semana depois o exército terreno de António, que estava acampado no local, rendeu-se. Passado um ano da batalha de Áccio, Octaviano preparava-se para capturar António com vida, mas este suicidou-se. Cleópatra optou pela mesma saída que o seu amante, provavelmente antevendo a humilhação de ser arrastada pelas ruas de Roma como prisioneira, deste modo, preferiu o amargo veneno de uma serpente no seu palácio em Alexandria.

Mais informação:
Descrição histórica
Cleópatra e Marco António na Wikipedia
Arquelogia subaquática no local da batalha

Emenda:
Graças ao muito atento Ricardo emendei Ácio por Áccio.

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6 Comments:

At 3:54 da tarde, novembro 10, 2006, Anonymous Anónimo disse...

Desculpa lá chatear, mas repara que "Ácio" (< Accius) é um poeta; "Áccio" (< Actium) é o nome do sítio, que deu nome à batalha.

 
At 4:00 da tarde, novembro 10, 2006, Anonymous Anónimo disse...

Quanto ao texto: muito completo e interessante.
Parabéns.

 
At 5:02 da tarde, novembro 10, 2006, Blogger Manuel disse...

Obrigado pela correcção, sempre atento Ricardo.


:)

 
At 4:51 da tarde, novembro 12, 2006, Anonymous Ricardo Duarte disse...

Manel, parece que as correcções estão destinadas aos Ricardos...
Ainda no início do artigo, trocaste Marco António por Marco Aurélio, lapso devido, obviamente, a uma mera distracção!
O texto está excelente! Vamos continuar, "'ta bom??!!????"

 
At 5:52 da tarde, novembro 12, 2006, Blogger Manuel disse...

Hehe...
Onde é que eu fui buscar o Marco Aurélio?

Obrigado pela atenção Ricardo.

 
At 4:12 da manhã, maio 10, 2010, Blogger 日月神教-向左使 disse...

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